Em nossas próprias armadilhas: “artefatos” antropológicos em contexto

Diógenes Egidio Cariaga

Resumo


A reflexão a ser apresentada pretende deslocar a leitura para questões que envolvem o modo como os regimes de conhecimento e as técnicas de produção da Antropologia são objetificadas em cenários de disputa judicial, que envolvem muitos pontos de vista sobre o conjunto das diferenças nos modos e sentidos de habitar e existir.  O que pretendo demonstrar passa por refletir sobre o que está em jogo quando a Antropologia e o antropólogo são mobilizados como “conhecedores-técnicos” sobre o direito às diferenças, garantidos pelo Estado Brasileiro aos índios.Não irei me ater às questões processuais, executivas e burocráticas do andamento das ações, mas trazer algumas considerações sobre como a produção destes documentos agenciam diferentes perspectivas sobre o fazer antropológico e quais relações emergem na condução destas tarefas e os efeitos etnográficos acerca da autoria e ética.Deste modo, as contribuições de Annelise Riles, Alfred Gell, Roy Wagner e Marilyn Strathern conduzem para algumas reflexões sobre os efeitos transformadores e extensivos dos conceitos em disputa que estes processos criam no modo de escrever tais documentos/textos, em que os conhecimentos antropológicos e etnográficos dos antropólogos são mobilizados a partir de uma noção “técnica”, para dar relevo a contextos onde a Antropologia é vista como um “saber-técnico-científico”.

Palavras-chave


Laudos periciais, regimes de conhecimentos, cosmopolítica

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DOI: https://doi.org/10.26694/rer.v2i1.9275

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